Carnaval da tecnologia vs. Carnaval da Emoção

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial foi igualmente emocinante e contrastante. Vimos excelentes desfiles em estilos totalmente diferentes, mas de altíssimo nível e bom gosto.

Paulo Barros deu luz à mais uma bela criação. Falando sobre o medo, o terror, a morte, o cinema, o carnavalesco proporcionou ao público mais uma performance fantástica, totalmente diferente do que foi apresentado no ano passado, ao contrário do que muitos pensavam.

SÃO CLEMENTE

A escola de Botafogo conseguiu fazer uma simpática homenagem ao Rio de Janeiro, porém a fez de forma grandiosa, devido ao talento do carnavalesco Fábio Ricardo que estreou no Grupo Especial com pé direito. O clementiano ficou devendo mesmo na empolgação e no canto, que quase não foi ouvido durante o desfile. As fantasias foram desenvolvidas de forma inteligente e descontraída. Destaque positivo para a Fiel Bateria que tocou numa ótima cadência.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

A Imperatriz fez aniversário na avenida, mas merecia um presente melhor. O carnavalesco Max Lopes de hoje quase não lembra o Max Lopes campeão com a mesma Imperatriz e com a Mangueira. As fantasias vieram bastante coloridas, mas com acabamento sofrível. Quando se esperava que o nível das alegorias acompanhasse as fatasias, aconteceu o contrário. Os carros alegóricos foram muito bem feitos, mesmo com o princípio de incêndio no Abre-Alas. Nem a bateria do Mestre Marcone conseguiu repetir o show do ano passado. Prometendo um set de berimbau no meio da bateria, o mesmo não foi ouvido na paradinho destinado a eles. A retomada da cadência após as paradinhas também foi confusa. Repito: a Imperatriz merecia um presente de aniversário melhor.

PORTELA

O desfile da Portela pegou o público pela emoção. A alegria dos componentes era palpável, bonita, empolgante. A harmonia da escola saiu da forma que foi ensaiada, com todos cantando com muita garra e amor pela Águia. O enredo sobre o Porto do Rio e as coisas do mar foi bastante audacioso, mas onde a escola não foi atingida pelo incêndio, não consegiu corresponder o nível de excelência que o carnavalesco Roberto Szaniecki pede. As alegorias da escola pareciam incompletas e mal feitas, acusando que foram entregues às pressas, como foi mostrado pela reportagem da revista Veja.

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UNIDOS DA TIJUCA

Foi realmente quando começou a disputa pelo título de 2011. A Unidos da Tijuca trouxe um desfile tecnicamente perfeito, mas com muita alegria por parte dos componentes. Paulo Barros trouxe novidades em todos os carros da escola e alas descontraídas como os Caça-Fantasmas e a Fuga das Galinhas. Grandes sucessos do cinema, como Harry Potter, Indiana Jones, Avatar e os clássicos de Zé do Caixão foram lembrados num desfile que ficará na memória de todos por muitos anos, mas algo deu errado na evolução da escola. Mais para o fim do desfile, o tempo foi ficando curto e o que era compacto não foi mais. A Tijuca correu um pouco, abrindo espaços dentro das alas em frente as duas últimas cabines de jurados.

VILA ISABEL

De volta à normalidade, a Vila Isabel entrou na avenida falando de cabelos. Para isso, os 3800 componentes vieram vestindo perucas feitas pela peruqueira do Theatro Municipal do Rio. Rosa Magalhães teve na mão um enredo que é a cara dela. Um enredo onde ela pôde fazer o melhor que sabe: grandes alegorias e fantasias de acabamento fantástico. A evolução da escola, que foi considerada a melhor dos ensaios de rua, disse ao que veio, mostrando uma performance sensacional. Empolgante também foi a apresentação de Julinho e Rute, que deram mais um show com o pavilhão da escola. Os pontos negativos no desfile foram a Comissão de Frente, que estava dentro do enredo, mas não se sabe se a sua função foi bem cumprida. Lembra das perucas??? Durante o desfile, pôde-se ver várias delas quase caindo das cabeças de vários componentes, o que pode prejudicar a escola no quesito Fantasia.

MANGUEIRA

A Mangueira veio para o seu desfile tomada pela emoção. Lágrimas nos olhos dos componentes, da diretoria, do público. Lágrimas de alegria e de emoção por ter a oportunidade de defender e cantar a vida de uma dos maiores ícones da música popular… Nelson Cavaquinho. Com a ideia de trazer o mestre de volta à vida, a Mangueira o fez presente em todos os maiores momentos da escola. Desde a Comissão de Frente, onde um sósia do compositor apareceu, arrancando gritos e aplausos das arquibancadas, onde o povo via a escola passar, enquanto amanhecia o dia. A bateria usou as paradinhas não para fazer graça, mas para deixar o povo cantar. Com esse desfile, a Mangueira usou a emoção do enredo para se colocar mais uma vez entre as favoritas para o campeonato desse ano.

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