Sinopse do enredo da Unidos de Vila Kennedy

G.R.E.S. Unidos da Vila Kennedy
Enredo: “Brincadeiras de criança”
Carnavalesco: Wenderson Silva

Grande parte dos jogos e brincadeiras tradicionais que encantam e fazem parte do cotidiano de várias gerações de crianças estão desaparecendo na atualidade devido às transformações do ambiente urbano, da influência da televisão e dos jogos eletrônicos. Pesquisas atuais mostram a importância de resgatar os jogos tradicionais na educação e socialização da infância, pois brincando e jogando a criança estabelece vínculos sociais, ajusta-se ao grupo e aceita a participação de outras crianças com os mesmo direitos. Obedece às regras traçadas pelo grupo, como também propõe suas modificações.

Aprende a ganhar, mas também a perder. Na experiência lúdica, a criança, assim como o adulto, cultiva a fantasia, vivência a amizade e a solidariedade, traços fundamentais para se desenvolver uma “cultura solidária” na sociedade brasileira atual. Este enredo aborda a origem do universo lúdico das crianças brasileiras, a partir dos escritos e pinturas dos viajantes estrangeiros entre os séculos XVI e XIX e obras literárias .Para identificar e caracterizar as brincadeiras tradicionais infantis recorremos a um artista Plástico conhecedor das brincadeiras de criança, entendedor da arte e participante da socialização da criança num contexto geral de se retratar. Ivan Cruz, nascido e criado no suburbio do Rio, se dividindo entre os bair ros de Vigário Geral e Vila da Penha o grande pintor e escultor de obras já vistas em todo o Brasil e Europa, com seus traços abstratos de rotos infantis percebidos e imaginados por muitos, que já teve o privilégio de brincar um dia. Este artista evidencia a importância do universo lúdico para o desenvolvimento infantil, pois ele foi e continuam a ser uma verdadeira “introdução ao mundo”.

Voltando as brincadeiras, os jogos tradicionais infantis são provenientes de rudimentos de romances, contos, rituais religiosos e místicos abandonados pelo mundo adulto. Anonimato, oralidade, tradição, conservação, mudança euniversalidade são características desses jogos. Canções de roda, advinhas, parlendas, histórias de fadas, bruxas, lobisomens, e jogos de bolinhas de gude, pião, amarelinha, pedrinhas (saquinhos), a pipa, entre outros, foram divulgadas pelos colonizadores portugueses quando vieram para o Brasil. A pipa ou o papagaio trazido pelos portugueses no século XVI tem origem nos povos orientais. Segundo a enciclopédia chinesa, a pipa foi inventada no ano 206 a.C, pelo general chinês Hau-sin, com finalidade de estratégias m ilitares, servindo de comunicação entre os soldados para enviar notícias a locais sitiados ou pedidos de ajuda. A miscigenação índio-branco-negro e a falta de documentação sobre os jogos dos meninos negros no período colonial dificultam a especificação da influência africana no folclore infantil. Entretanto, pela linguagem oral que a mãe preta transmitiu para as crianças o conto, as lendas, os mitos, as histórias de sua terra. Na época da escravidão era costume do menino branco receber um ou mais moleques negros como companheiros de brincadeira que lhe serviam como cavalo de montaria, burros de liteira, de carro de cavalo, em que um barbante serve de rédea, um galho de goiabeira de chicote. Os sinhozinhos reproduziam nas brincadeiras as relações de dominação. As meninas, ao bricarem os jogos de faz-de-conta, reproduziam a vida do engenho, onde as meninas negras eram tratadas como servas pela sinhazinha. Entretanto, longe do controle dos adultos essa rel ação se invertia, particularmente, nas brincadeiras de pião, papagaio, matar passarinhos, subir em árvores, a liderança era dos moleques negros, prevalecendo às habilidades do jogador. Da tradição indígena ficaram as brincadeiras de barbantes, atualmente conhecidas como cama-de-gato e o gosto pelos jogos e brinquedos imitando animais. Podemos perceber que, apesar da convivência de diferentes raças a influência portuguesa foi preponderante nas brincadeiras e jogos infantis das crianças brasileiras.

Na sociedade contemporânea, grande parte dos jogos tradicionais infantis – ciranda cirandinha, cabra-cega, barra manteiga, queimada, jogo de pião, pedrinhas, amarelinha, entre outros – que encantam e fazem parte do cotidiano de várias gerações de crianças, estão desaparecendo devido à influência da televisão, dos jogos eletrônicos e das transformações do ambiente urbano, ou seja, as ruas e as calçadas deixaram de ser os espaços para a criança brincar. Nesse sentido, este enredo pretende observar tais aspectos, abordando o universo lúdico infantil e considerando ainda a contribuição oferecida por depoimentos de escritos dos viajantes estrangeiros, dos folcloristas e de obras literárias referentes a esse assunto. Pesquisas atuais mostram a importância dos jogos tradicionais na educação e socialização da criança, pois brincando e jogando a criança estabelece vínculos sociais, ajusta-se ao grupo e aceita a participação de outras crianças com os mesmos direitos. Obedece, ainda, às regras traçadas pelo grupo, como também propõe suas modificações; aprende a ganhar e a perder. O universo lúdico foi e continua sendo “uma introdução ao mundo… nunca uma lição… mas uma descoberta”. Esse universo das brincadeiras de criança, não é uma simples imitação dos adultos, mas um universo de magia, mistério e liberdade sem limites. Segundo Ivan Cruz, os jogos tradicionais infantis fazem parte da cultura popular, expressam a produção espiritual de um povo em uma determinada época histórica, são transmitidos pela oralidade e sempre estão em transformação, incorporando as criações anônimas de geração para geração. Ligados ao folclore, possuem as características de anonima to, tradicionalidade, transmissão oral, conservação e mudança. As brincadeiras tradicionais possuem, enquanto manifestações da cultura popular, a função de perpetuar a cultura infantil e desenvolver a convivência social.

Alguns adultos, conhecedores da vivência infantil, acreditam que grande parte das práticas lúdicas da infância brasileira – adivinhas, parlendas, cantigas de roda, histórias de príncipes, rainhas, assombrações, bruxas e brinquedos, como a pipa, o pião, o bodoque e os jogos de pedrinhas, a amarelinha, entre outros – foram trazidas pelos portugueses e fazem parte da cultura européia e, por isso, estão gradativamente entrando em declínio primeiramente, à cedência a modas ditadas pelas classes cultural e economicamente favorecidas, e ao seu desejo de ostentação e de luxo, depois ao consumismo desenfreado de produtos acabados e de fácil aquisição que, no entanto, retiram à criança o prazer de descobrir, de inventar, de fazer e de partilhar.

Brinquedo tradicional dos meninos dos sertões e do interior do país trazido pelos primeiros portugueses é o bodoque: pequena arma utilizada pelas crianças para caçar borboletas, pássaros, lagartixas e calangos. Palavra de origem árabe, bondok foi utilizada como instrumento bélico na Espanha e Portugal até a criação da pólvora e das armas curtas, em 1498. O bodoc ou baducca é um pequeno arco confeccionado com madeira “airi”. Possui duas cordas bem esticadas e separadas por dois pedacinhos de madeira; no meio, as cordas são unidas por um trançado chamado “malha”, “rede” ou “sanga”. É nessa parte que se colocam os projéteis que, em geral, são pelotas de barro cozido ou pedrinhas redondas.

Outro brinquedo de arma produzido pelas próprias crianças, utilizado para matar passarinhos e em rixas entre as gangues de adolescentes durante vários séculos, é o estilingue, conhecido também como atiradeira, baladeira. Em Portugal recebe os nomes de elásticos, funda, fisga ou atiradeira. Esse brinquedo é composto de três partes: o gancho ou forquilha (cabo), o elástico e a malha. Tem a forma de um “Y” e é construído com madeira de laranjeira, goiabeira ou jabuticabeira. Nas extremidades superiores amarram-se duas tiras de borracha ou elástico. As outras pontas das tiras ficam amarradas em um pedaço de couro formando a funda, a malha, onde se coloca o projétil (mamona verde, pedrinhas), que é atirado no alvo com o impulso da borracha distendida.

O pião ou pinhão é um brinquedo construído com madeira de goiabeira, laranjeira e jacarandá, tendo na ponta um prego – “ferrão” -, por onde gira pelo impulso do cordão enrolado na outra extremidade e lançado com destreza pela meninada. Existem várias modalidades desse jogo: na jogada de dormir o pião deve ficar rodan do sobre o seu eixo sem balançar e sem mexer; na jogada batata, o pião fica girando com a cabeça para baixo; na jogada de vida ou morte, o jogador lança o pião sobre um outro que está girando para parti-lo ao meio, danificando-o. O dono de um pião cheio de pontas é visto como péssimo jogador. Na Idade Média, os brinquedos e os jogos, paulatinamente, vão sendo associados às idades da vida. O cavalo de pau corresponde à segunda infância, faixa etária entre 3 e 7 anos; o pião a pueritia, representado por um rapaz que necessitava de força e agilidade para participar desse jogo. Os brinquedos e jogos que, na atualidade, são considerados típicos de crianças como: jogo de pedrinha, amarelinho, pião, cabra-cega, entre outros, em épocas passadas eram compartilhados com o mundo dos adultos.

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: