Jack Vasconcelos: “trabalhar na Estácio é como jogar na Seleção…”

Na última segunda-feira foi apresentado oficialmente “Rildo Hora: A ópera de um menino…o toque do relaejo rege seu destino“, tema que a Estácio de Sá levará para a avenida em 2013 homenageando o grande Rildo Hora, produtor, músico, compositor, arranjador de sucesso principalmente para o samba, que se sofisticou a partir das suas criações. O enredo, como vocês podem conferir na sinopse, conta a trajetória do artista em forma de cordel, muito bem descrito no texto de Marcos Roza.

Após a leitura do texto feita por Roza, o carnavalesco Jack Vasconcelos trocou a sinopse em miúdos e dividiu o texto de acordo com os cinco setores idealizados por ele para o desfile do sábado de carnaval. Fica assim dividido:

  • 1º setor – Trata-se da apresentação da escola ao público, fazendo uma brincadeira do Leão da Estácio com o Leão do Norte, como é conhecido o estado de Pernambuco, terra natal de Rildo Hora;
  • 2º setor – Vai falar da infância de Rildo em Caruaru, das primeiras influências musicais, das aulas de piano com a mãe e quando ouve no rádio pela primeira vez “Asa Branca” de Luiz Gonzaga;
  • 3º setor – Fala da chegada de Rildo ao Rio de Janeiro, quando vai morar em Madureira e conhece compositores como Candeia e Manaceia e seu contato com o samba e a MPB.
  • 4º setor – Rildo já jovem estuda música com o maestro Guerra Peixe e trabalha nos bastidores do rádio. Fala também de suas primeiras apresentações na TV e seu lado compositor. Uma das músicas lembradas será “Menino da Mangueira”
  • 5º setor – Mostra Rildo Hora como produtor de grandes artistas, quando conhece Luiz Gonzaga e introduz todo seu conhecimento erudito na música popular, dando um formato mais sofisticado aos discos de artistas consagrados como Zeca Pagodinho.

Após a explanação, Jack Vasconcelos conversou com BANCADA DO SAMBA, onde ele falou de como foram as conversas com o homenageado, o desenvolvimento do enredo e do momento como profissional, em sua estreia na primeira escola de samba do Brasil.

BANCADA DO SAMBA – Como foi o processo de pesquisa e, principalmente essa conversa que vcs tiveram com o Rildo Hora pra se chegar nesse material?
JACK VASCONCELOS – Na verdade, Marcos Roza e eu passamos uma tarde inteira com o Rildo Hora. Engraçado, que no ano passado eu trabalhei no Tuiuti numa homenagem a Clara Nunes, mas não a tínhamos presente para contar o que ela achava importante. Essa resposta, a gente não vai ter nunca. Então, agora a gente teve a sorte de perguntar ao homenageado o que ele achava importante nessa trajetória toda dele. A gente chegou nessa sinopse em cima dessa conversa que tivemos com ele. A gente percebeu essa vitalidade que ele tem até hoje e passa pra obra dele, essa coisa do olhar de menino, dito pela esposa dele. Ele é um menino ainda. Ele tem esse amor, essa vitalidade de criança mesmo. Então, o caminho foi esse: ele sempre gostou de equilibrar o erudito com a música popular, unimos essa linguagem do cordel, tipicamente nordestino, com um roteiro de ópera contando a história desse menino.

BS– É isso que plasticamente pode estar inserido no que pode ser apresentado na Avenida pela Estácio?
JV– Sim. Essa é a nossa linha narrativa, então isso acaba naturalmente passando para a parte plástica também.

BS – E na prática, como isso está se desenvolvendo? Já está acontecendo?
JV – Já está acontecendo. Montamos juntos esse roteiro. O Marcos levantou alguns aspectos mais precisos (datas, referências, influências) e já fui selecionando elementos visuais. O texto em si está muito preciso no que a gente vai levar pra avenida porque o projeto está maduro o suficiente pra isso, então, foi uma coisa conjunta. Tanto o texto do enredo quanto a parte visual foram criadas juntas.

BS – Explica pra gente sobre a sua proposta para os compositores…
JV – Na verdade, quando eu falei pra eles que eu gostaria de ver um samba que fosse feito de artista para artista, foi para despertar uma sensibilidade a mais. Às vezes, tem se visto muitas composições automáticas e um projeto como esse merece uma atenção especial, um olhar diferente, uma obra mais sofisticada.

BS – Você está chegando no Estácio, vindo de uma outra escola também tradicional, que homenageou nos últimos anos grandes nomes da música e da cultura popular. Como está sendo pra você vir trabalhar numa escola que também tem isso tão enraizado, como a Estácio?
JV – Fazer a Estácio é o sonho de qualquer carnavalesco… É como jogador de futebol querer jogar na seleção. Tem isso muito forte aqui. É uma escola que tem um astral muito bom, muito família. Eu me sinto muito bem em trabalhar em escolas que tenham esse clima familiar e a Estácio não perdeu isso, não se afastou dessas raízes. A gente sente algo diferente. A questão de se falar de música foi uma coincidência. Quando eu vim pra cá ainda não se tinha enredo escolhido. Tínhamos outras propostas, mas a ideia de se fazer o enredo sobre o Rildo Hora foi do nosso presidente e ele foi muito feliz na escolha. É muito bom a gente trazer ao conhecimento do grande público uma figura como a do Rildo Hora porque muita gente que consome o que ele produz, às vezes não sabe quem ele é. Muitos discos de grandes nomes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, etc, foram produzidos por ele. Então, as pessoas gostam do trabalho dele mas ainda não conhecem quem ele é. Para mim é uma oportunidade rara e o cara tá vivo, pode curtir tudo isso, que é melhor ainda.

Os compositores da Estácio de Sá entregam suas obras para a escola no dia 12 de agosto. Até lá serão promovidos 3 encontros com o carnavalesco para tirar dúvidas, começando no próximo dia 12 de julho.

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