Sinopse do enredo da Viradouro

“Nem melhor nem pior, que não sai da minha mente. Inspiração para o meu samba, eu também sou diferente”

Por isso eu vim cantar noutro terreiro
Pra falar bem do Salgueiro
Em respeito a tradição

Romildo e Toninho

Aquele velho ditado que diz que o Salgueiro tem uma raiz nós conhecemos muito bem. E essa raiz, que nasce forte em qualquer lugar, veio inspirar o nosso carnaval. Um carnaval que vem cantar a tradição, o “berço do samba e do amor, Salgueiro, tua beleza me inspirou”. (1)

Nós também nascemos no morro, origem de bamba, onde o samba é pé no chão. Teu morro, nosso morro. De lá vem nossa inspiração, “vem a melodia para dizer tudo que sinto no coração”. (2)

Receba o nosso abraço; a nossa homenagem a quem tanto nos ajudou à época dos desfiles do lado de cá. Duas escolas de samba, irmãs e parceiras; duas bandeiras unidas. Unidas pelo sangue vermelho e branco. Unidas nas bençãos do padroeiro – Salve Xangô!

E nessas vindas tijucanas às terras niteroienses fomos bebendo da fonte de uma escola de samba diferenciada. Escola de carnavalescos, escola de enredos, escola de compositores, escola de passistas, escola de sambistas. Mestres do nosso sonho de carnaval!

Esse é o Salgueiro diferente
Que empolga tanta gente
 (3)

Falar do Salgueiro diferente é falar de revolução. Revolução no samba, revolução salgueirense. A busca por carnavais diferenciados foi o caminho para a vitória. Impressionar com enredos inovadores, fazer bailar o imaginário da passarela. Surpreender! Afinal, tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso…

Meu maracatu
É da coroa imperial
É de Pernambuco,
Ele é da casa real
 (4)

Navegando por uma nova estética.

Festa salgueirense embalada por raízes africanas.

Histórias de guerra e liberdade.

Dançar um minueto ao som do samba. Mulher negra exaltada. Valorizada.

Nobre povo. Nobre Xica.

O-lê-lê, ô-lá-lá,
Pega no ganzê
Pega no ganzá!
 (5)

Versos guardados no tempo.

O Salgueiro ganhava a avenida, era a festa do Rei.

Mucamas com flores, corte negra, príncipes e lanceiros.

Todos para conduzir o africano em seu pálio real.

E desde então é o rei dos reis da africanidade; valor real da cor Brasil, respeito e igualdade.

Salve o Rio de Janeiro,
Seu carnaval, seu quatrocentão,
Feliz abraço do Salgueiro
À cidade de São Sebastião.
 (6)

Sempre diferente.

Como gosta de falar do Rio de Janeiro! Tantas merecidas homenagens ao berço do samba.

Carnaval sobre carnavais; dos bailes aos blocos pela Praça Onze… Saudade que aperta no peito; saudade daquela colombina, arrastada pelas nuvens de confete.

Mascarados e bate-bolas; mais um folião nos bondes da cidade.

Assim cantou a Academia: sonhos decorados com serpentinas, o sonho multicor da fantasia. Essa é a cara do Rio. Essa é a cara do Salgueiro, carioca da gema.

Bahia, os meus olhos estão brilhando,
Meu coração palpitando
De tanta felicidade
 (7)

Raiz cultural brasileira, um passeio sob o sol da cultura baiana.

Se Preto Velho Benedito já dizia, acreditemos: de Todos os Deuses é a Bahia.

Vencer a superstição e encantar a avenida!

Na beleza de Yemanjá, espelhando a manhã que se abria.

E tudo se tornava encanto no branco mar do Salgueiro: festas e quilombos, capoeira, vendedores do mercado. Salve o mestre! Salve as baianas! Salve a Bahia!

O sol brilhará, surge a estrela guia
E sob proteção da lua
Canta Viradouro, que a sorte é sua
 (8)

No mundo do samba, nós também temos raiz! Também somos diferentes!

Nossa Viradouro, quando atravessou a Baía de Guanabara rumo ao carnaval carioca levou a força da nossa gente. A força dos desfiles em nossa cidade!

Desde nosso primeiro desfile entre as grandes do Rio mostramos que também somos diferentes! Garra! Luxo! Samba! E cintilante nossa estrela brilhou!

De desconhecidos, passamos a ser esperados na Sapucaí!

Nosso orgulho! Nosso chão! Nossa Escola de Samba, que hoje, de coração aberto, comemora os 60 anos de nossa co-irmã dedicados à cultura popular.

Receba, Academia do Samba, com carinho a homenagem, porque lá no Salgueiro também está um pedaço do nosso coração vermelho e branco – na verdade, é onde está um pedaço do coração de todo sambista. (9)

*Enredo em homenagem aos artistas que fizeram a diferença pelo GRES Acadêmicos do Salgueiro no carnaval.


Citações:

1. Trecho de Buguinho e Iraci Mendes dos Reis

2. Geraldo Babão

3. Tiãozinho do Salgueiro, Buguinho e Guilhobel

4. Quilombo dos Palmares – Salgueiro, 1960

5. Festa para um Rei Negro – Salgueiro, 1971

6. História do Carnaval Carioca – Salgueiro, 1965

7. Bahia de Todos os Deuses – Salgueiro, 1969

8. E a magia da sorte chegou – Viradouro, 1992

9. Paráfrase de um depoimento de Fernando Pamplona

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