Salgueiro promove Manifesto a favor da liberdade de expressão no Carnaval

Na Acadêmicos do Salgueiro, as eliminatórias seguirão normalmente na noite deste sábado, a partir das 22 horas, mas uma convocação de última hora da presidente Regina Celi vai dar um ar diferente a noite de samba. O Salgueiro promoverá durante o ensaio, um manifesto em repúdio as declarações do candidato a prefeito do Rio Marcelo Freixo (PSOL), que em recente entrevista propôs que a organização do desfile das escolas de samba fique a cargo da Secretaria de Cultura, limitando a subvenção dada às escolas, financiando apenas aquelas que apresentem “contrapartida cultural” em seus enredos. Na entrevista, sem citar nomes ou agremiação, Freixo mencionou o patrocínio recebido pelo Salgueiro de uma revista de celebridades para o carnaval 2013.

A presidente do Salgueiro divulgou nota na tarde de hoje convocando imprensa e comunidade a participar do ato. Confira a íntegra da nota oficial:

O Carnaval é um dos emblemas do Rio. Faz parte do patrimônio histórico e cultural da cidade. Tem uma profunda inserção popular. É uma das expressões mais significativas da cultura carioca. Encanta e mobiliza milhões de pessoas todos os anos. É uma festa. É também uma atividade econômica e está presente na vida dos cariocas de todas as regiões há muito tempo. Constitui uma tradição.

Não por acaso, ao longo da história, em vários momentos, políticos tentaram cooptar, controlar e reprimir o Carnaval do Rio, visando apenas projetos partidários ou pessoais. O Carnaval nasceu como uma forma de resistência (e afirmação) popular. E sobreviveu a todas as tentativas de cooptação, controle e repressão. Não foram poucas. Mas o Carnaval do Rio está cada vez mais forte.

Hoje impera no Carnaval do Rio a mais absoluta liberdade de expressão. O poder público não interfere no conteúdo dos enredos. Não determina o que as Escolas de Samba podem ou não expressar em seus desfiles. A Prefeitura subsidia igualmente todas as agremiações em cada um dos Grupos e não impõe “contrapartidas culturais”.

Infelizmente há no horizonte uma ameaça potencial à plena liberdade de expressão no Carnaval do Rio. Um candidato a prefeito defende, em seu programa de governo e em entrevistas, que só devem receber recursos da Prefeitura as Escolas de Samba que tiverem enredos aprovados pela Secretaria de Cultura. Para ele, as Escolas devem oferecer “contrapartidas culturais”.

Trata-se claramente de uma visão dirigista. Quem determinará se um enredo tem ou não “relevância cultural”? Mais uma vez o Carnaval do Rio se vê diante de uma postura autoritária que atenta contra a plena liberdade de expressão. Mais uma vez há uma tentativa de controle de uma manifestação cultural popular. Não podemos permitir que este pesadelo vire realidade, como ocorreu no passado.

A comunidade do Carnaval e do Samba está unida para defender seu direito de criar livremente. Repudiamos esta e qualquer outra tentativa de dirigismo cultural. A contrapartida de uma obra de arte é a própria obra de arte. As Escolas de Samba devem ter autonomia para escolher seus enredos. O apoio da Prefeitura é justo e necessário. Mas não pode ameaçar a liberdade de expressão.

Por tudo isso, não podemos deixar que queiram tirar do nosso Carnaval o título, arduamente conquistado, de Maior Espetáculo da Terra.

Regina Celi Fernandes.

Por conta do manifesto, o ensaio deste sábado, excepcionalmente, terá entrada franca. A quadra do Salgueiro fica na Rua Silva Teles, 104, no Andaraí.

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