Eduardo Gonçalves: “…o folião vai curtir desfilar na Alegria!”

Na noite de hoje, a Alegria da Zona Sul promove a última reunião com os compositores da escola para tirar dúvidas com o carnavalesco Eduardo Gonçalves sobre o enredo “Quem não chora, não mama…” que vai contar na avenida a história do Cordão da Bola Preta, que completa noventa e cinco anos e a cada ano está mais forte, arrastando multidões pela avenida Rio Branco durante o carnaval.

Na época do lançamento da sinopse, há pouco mais de um mês, BANCADA DO SAMBA conversou com Eduardo Gonçalves. Na entrevista, ele fala o desenvolvimento do enredo, de como será o impacto visual, especialmente na abertura do desfile que promete visitar uma época importante para a nossa cidade: as décadas de 20 e 30. Falamos também sobre a competição que se aproxima, mas Eduardo diz que essa não é uma grande preocupação. Divirta-se com o bate-papo.

BANCADA DO SAMBA – Eduardo, analisando mais friamente, as sinopses desse ano tem uma abordagem mais puxada pro explicativo ou mais poético. Vendo a sua mais a fundo, a gente consegue ver que o texto nos transporta pra época (anos 10,20 e 30). Já com tudo mais explicado, como você está pensando em soluções pra aplicar isso na avenida?

EDUARDO GONÇALVES – Quando a gente optou pelo enredo sobre o Cordão da Bola Preta, a primeira ideia que a gente pensou foi em usar essa coisa mais foliã. Ele representa esse estilo irreverente do carioca. Então, o que a gente pensa é em levar pra avenida um enredo leve, solto, colorido, com cara de escola de samba pra disputar carnaval, mas ao mesmo tempo despretencioso. Com alguns momentos de ousadia em algumas fantasias, que eu gosto de usar dessa característica de um figurino diferente, mas sem muito luxo. Só no início que a gente vai brincar com o Art Decó dos anos 20, pra que ninguém espere que venha um Blocão na avenida. A gente tem que tratar escola de samba como escola de samba, então, todo mundo pode se surpreender com a abertura, que é mais requintada, mas depois é pura diversão porque é a história de um bloco que vai desfilar. São 95 anos de história, de cultura, de informação, de passagem pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. E a sinopse descreve muito bem isso: todos os personagens, as marchinhas, as rainhas e princesas do bloco… é um passeio divertido, colorido, solto, alegre e acima de tudo folião.

BS – Essa questão do colorido do carnaval de rua dessa época é uma coisa que está latente no enredo ou você prefere, num primeiro momento se ater às cores da escola?
EG – Não. Eu trabalhei quatro anos na Lins Imperial (verde e rosa) e ali eu brinquei com todas as cores. Claro que a gente tem que manter o respeito e a tradição do pavilhão em alguns setores, mas a minha cartela de cores e bastante variada. Eu sempre gosto de brincar com cores, independente de o síbolo ser uma escudo branco com uma bola preta. Isso vai estar representado em algum momento do desfile, mas o resto vai ter muita cor, porque a cor te traz alegria. Eu não venho com muito luxo, não tenho grana pra comprar plumas e tecidos caros, placas e outros materiais valorizados no carnaval, então, eu vou trabalhar em cima do que eu posso fazer, da minha criatividade, que eu sempre trabalhei. Quem pôde ver o meu trabalho nos Saltimbancos sabe disso. Era veludo, feltro… cores!

BS – Em termos de competição, você soube no sorteio da LIERJ quem são seus concorrentes diretos, ou seja, quem desfila com você no dia. Como você conseguiu analisar isso logo de cara?
EG – Quando a gente cria o enredo, eu não penso nisso. Eu pensei primeiro em fazer um enredo que eu curta, que leve cultura e informação pra minha comunidade e para quem estiver assistindo. Meu segundo pensamento é passar alguma mensagem. Eu nunca penso na competição. É óbvio que é uma competição. Desfilar depois de uma Estácio de Sá e antes de uma Rocinha é muita responsabilidade, mas eu penso que o enredo é muito embasado, a sinopse está super bem escrita. Eu não fiz nada sozinho, tenho meus colabores, que são historiadores, então, eu penso que vai ser um desfile para competir, só que vai ter um tempero a mais, que é o descompromisso, a alegria, como o nome da escola diz. O folião vai pegar a sua fantasia e vai curtir desfilar na Alegria da Zona Sul. Se lá tiver competição, ela vai ser quesito a quesito e aí qualquer uma pode ser campeã. É indeferente pra mim. Claro, adoro ganhar, mas eu não estou pensando nisso.

BS – E o planejamento? como estão as coisas?
EG – Bem adiantado. O barracão já está todo limpo… O Alegria é uma escola muito legal de se trabalhar. É uma escola bacana porque ela é do meu jeito: bem calminha, sem stress, tudo no seu tempo, na sua hora. Não precisa gritar no meu ouvido porque arte não combina com pressão. Arte combina com situação de criatividade, que a gente tem a todo momento. Eu tenho uma equipe maravilhosa. São meninos que estão comigo sempre. O Flávio Mello é um diretor incrível e eu trabalho há anos com ele, então, tudo é OK na Alegria da Zona Sul. Do contrário, eu não estaria aqui.

BS – Como você pretende explorar a citação ao Fernando Pamplona, que você reverencia no enredo e que é tão importante para a história da Avenida Rio Branco?
EG – Então, ele já está sabendo da homenagem no texto da sinopse e nós vamos convida-lo a desfilar num carro que vai fazer projeções dos desenhos da decoração de rua que ele concorreu e não ganhou na época, porque a prefeitura achou um acinte o tema afro em frente ao Theatro Municipal. Depois, ele levou esse tema pro Salgueiro e foi campeão. Isso vai ser feito de uma forma singela. Falar do Bola Preta é falar da Rio Branco e falar da Rio Branco, é falar de Fernando Pamplona e dessas decorações de rua que ele criou.

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