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Eduardo Gonçalves: “…o folião vai curtir desfilar na Alegria!”

Na noite de hoje, a Alegria da Zona Sul promove a última reunião com os compositores da escola para tirar dúvidas com o carnavalesco Eduardo Gonçalves sobre o enredo “Quem não chora, não mama…” que vai contar na avenida a história do Cordão da Bola Preta, que completa noventa e cinco anos e a cada ano está mais forte, arrastando multidões pela avenida Rio Branco durante o carnaval.

Na época do lançamento da sinopse, há pouco mais de um mês, BANCADA DO SAMBA conversou com Eduardo Gonçalves. Na entrevista, ele fala o desenvolvimento do enredo, de como será o impacto visual, especialmente na abertura do desfile que promete visitar uma época importante para a nossa cidade: as décadas de 20 e 30. Falamos também sobre a competição que se aproxima, mas Eduardo diz que essa não é uma grande preocupação. Divirta-se com o bate-papo.

BANCADA DO SAMBA – Eduardo, analisando mais friamente, as sinopses desse ano tem uma abordagem mais puxada pro explicativo ou mais poético. Vendo a sua mais a fundo, a gente consegue ver que o texto nos transporta pra época (anos 10,20 e 30). Já com tudo mais explicado, como você está pensando em soluções pra aplicar isso na avenida?

EDUARDO GONÇALVES – Quando a gente optou pelo enredo sobre o Cordão da Bola Preta, a primeira ideia que a gente pensou foi em usar essa coisa mais foliã. Ele representa esse estilo irreverente do carioca. Então, o que a gente pensa é em levar pra avenida um enredo leve, solto, colorido, com cara de escola de samba pra disputar carnaval, mas ao mesmo tempo despretencioso. Com alguns momentos de ousadia em algumas fantasias, que eu gosto de usar dessa característica de um figurino diferente, mas sem muito luxo. Só no início que a gente vai brincar com o Art Decó dos anos 20, pra que ninguém espere que venha um Blocão na avenida. A gente tem que tratar escola de samba como escola de samba, então, todo mundo pode se surpreender com a abertura, que é mais requintada, mas depois é pura diversão porque é a história de um bloco que vai desfilar. São 95 anos de história, de cultura, de informação, de passagem pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. E a sinopse descreve muito bem isso: todos os personagens, as marchinhas, as rainhas e princesas do bloco… é um passeio divertido, colorido, solto, alegre e acima de tudo folião.

BS – Essa questão do colorido do carnaval de rua dessa época é uma coisa que está latente no enredo ou você prefere, num primeiro momento se ater às cores da escola?
EG – Não. Eu trabalhei quatro anos na Lins Imperial (verde e rosa) e ali eu brinquei com todas as cores. Claro que a gente tem que manter o respeito e a tradição do pavilhão em alguns setores, mas a minha cartela de cores e bastante variada. Eu sempre gosto de brincar com cores, independente de o síbolo ser uma escudo branco com uma bola preta. Isso vai estar representado em algum momento do desfile, mas o resto vai ter muita cor, porque a cor te traz alegria. Eu não venho com muito luxo, não tenho grana pra comprar plumas e tecidos caros, placas e outros materiais valorizados no carnaval, então, eu vou trabalhar em cima do que eu posso fazer, da minha criatividade, que eu sempre trabalhei. Quem pôde ver o meu trabalho nos Saltimbancos sabe disso. Era veludo, feltro… cores!

BS – Em termos de competição, você soube no sorteio da LIERJ quem são seus concorrentes diretos, ou seja, quem desfila com você no dia. Como você conseguiu analisar isso logo de cara?
EG – Quando a gente cria o enredo, eu não penso nisso. Eu pensei primeiro em fazer um enredo que eu curta, que leve cultura e informação pra minha comunidade e para quem estiver assistindo. Meu segundo pensamento é passar alguma mensagem. Eu nunca penso na competição. É óbvio que é uma competição. Desfilar depois de uma Estácio de Sá e antes de uma Rocinha é muita responsabilidade, mas eu penso que o enredo é muito embasado, a sinopse está super bem escrita. Eu não fiz nada sozinho, tenho meus colabores, que são historiadores, então, eu penso que vai ser um desfile para competir, só que vai ter um tempero a mais, que é o descompromisso, a alegria, como o nome da escola diz. O folião vai pegar a sua fantasia e vai curtir desfilar na Alegria da Zona Sul. Se lá tiver competição, ela vai ser quesito a quesito e aí qualquer uma pode ser campeã. É indeferente pra mim. Claro, adoro ganhar, mas eu não estou pensando nisso.

BS – E o planejamento? como estão as coisas?
EG – Bem adiantado. O barracão já está todo limpo… O Alegria é uma escola muito legal de se trabalhar. É uma escola bacana porque ela é do meu jeito: bem calminha, sem stress, tudo no seu tempo, na sua hora. Não precisa gritar no meu ouvido porque arte não combina com pressão. Arte combina com situação de criatividade, que a gente tem a todo momento. Eu tenho uma equipe maravilhosa. São meninos que estão comigo sempre. O Flávio Mello é um diretor incrível e eu trabalho há anos com ele, então, tudo é OK na Alegria da Zona Sul. Do contrário, eu não estaria aqui.

BS – Como você pretende explorar a citação ao Fernando Pamplona, que você reverencia no enredo e que é tão importante para a história da Avenida Rio Branco?
EG – Então, ele já está sabendo da homenagem no texto da sinopse e nós vamos convida-lo a desfilar num carro que vai fazer projeções dos desenhos da decoração de rua que ele concorreu e não ganhou na época, porque a prefeitura achou um acinte o tema afro em frente ao Theatro Municipal. Depois, ele levou esse tema pro Salgueiro e foi campeão. Isso vai ser feito de uma forma singela. Falar do Bola Preta é falar da Rio Branco e falar da Rio Branco, é falar de Fernando Pamplona e dessas decorações de rua que ele criou.

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O sangue novo da Associação

Ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas plenárias, a da última terça-feira, que definiu pelo voto o novo presidente da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro aconteceu de forma tranquila. Presidentes e representantes das 37 escolas de samba da entidade escolheram pro voto secreto seu próximo comandante daqui pra frente. 19 dos 37 votos apontaram a chapa liderada por Moisés Fernandes como a vencedora, com uma diferença de 8 votos para a segunda colocada. O vice-presidente será Sandro Avelar.

Após a divulgação do resultado, muitos aplausos e muita comemoração na sessão plenária, que se estendeu até a quadra da Em Cima da Hora, em Cavalcante. Lá, BANCADA DO SAMBA conversou com Moisés, que nos contou um pouco de como foi a espera para chegar ao momento da vitória e as primeiras medidas que pretende tomar para a organização do Carnaval 2013.

BANCADA DO SAMBA – Primeiras palavras do vencedor…
MOISÉS FERNANDES – Em primeiro lugar, eu quero agradecer ao Eduardo José, ao Fernando Leopoldino, pela contribuição para o mundo do samba, mas é preciso renovar e a mudança realmente assusta a quem ocupa um cargo como esse. Mas é para o bem do samba; vocês podem ter certeza que a Associação vai ter um novo futuro.

BS – A ficha já caiu?
MF – Olha, há 4 meses que a gente não dorme. A gente já não estava mais conseguindo sonhar. Então, ainda está tudo um pouco confuso, realmente a ficha ainda não caiu do que nós estamos representando a partir de hoje para o mundo do samba. Eu só digo uma coisa: nossa diretoria não vai decepcionar o mundo do samba porque nós estamos dispostos a manter a cultura popular, que é o samba, nosso patrimônio, que dá nossa visibilidade aí fora e nós vamos primar por isso. Eu agradeço a todos pela confiança.

BS– Faltando sete meses pro carnaval, o senhor considera esse tempo bom o suficiente para colocar o carnaval na rua do jeito que vocês planejam?
MF – Olha, eu acho que sim. Eu lembro de uma história de uma costureira de Nilópolis que dizia que o presidente da escola pedia a ela que costurasse algumas fantasias dentro do trem, a caminho do desfile para dar mais motivação. Ou seja, o carnaval feito em cima da hora é feito com muito mais vontade. Lógico que nós temos que começar bem cedo, mas nada impede que em 7 meses se consiga fazer uma boa obra.

BS – Quais as primeiras medidas que o senhor pretende colocar em prática?
MF – Em primeiro lugar, precisamos fazer o sorteio pro carnaval 2013, que está todo mundo cobrando. O resto a gente define com mais calma.

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Jack Vasconcelos: “trabalhar na Estácio é como jogar na Seleção…”

Na última segunda-feira foi apresentado oficialmente “Rildo Hora: A ópera de um menino…o toque do relaejo rege seu destino“, tema que a Estácio de Sá levará para a avenida em 2013 homenageando o grande Rildo Hora, produtor, músico, compositor, arranjador de sucesso principalmente para o samba, que se sofisticou a partir das suas criações. O enredo, como vocês podem conferir na sinopse, conta a trajetória do artista em forma de cordel, muito bem descrito no texto de Marcos Roza.

Após a leitura do texto feita por Roza, o carnavalesco Jack Vasconcelos trocou a sinopse em miúdos e dividiu o texto de acordo com os cinco setores idealizados por ele para o desfile do sábado de carnaval. Fica assim dividido:

  • 1º setor – Trata-se da apresentação da escola ao público, fazendo uma brincadeira do Leão da Estácio com o Leão do Norte, como é conhecido o estado de Pernambuco, terra natal de Rildo Hora;
  • 2º setor – Vai falar da infância de Rildo em Caruaru, das primeiras influências musicais, das aulas de piano com a mãe e quando ouve no rádio pela primeira vez “Asa Branca” de Luiz Gonzaga;
  • 3º setor – Fala da chegada de Rildo ao Rio de Janeiro, quando vai morar em Madureira e conhece compositores como Candeia e Manaceia e seu contato com o samba e a MPB.
  • 4º setor – Rildo já jovem estuda música com o maestro Guerra Peixe e trabalha nos bastidores do rádio. Fala também de suas primeiras apresentações na TV e seu lado compositor. Uma das músicas lembradas será “Menino da Mangueira”
  • 5º setor – Mostra Rildo Hora como produtor de grandes artistas, quando conhece Luiz Gonzaga e introduz todo seu conhecimento erudito na música popular, dando um formato mais sofisticado aos discos de artistas consagrados como Zeca Pagodinho.

Após a explanação, Jack Vasconcelos conversou com BANCADA DO SAMBA, onde ele falou de como foram as conversas com o homenageado, o desenvolvimento do enredo e do momento como profissional, em sua estreia na primeira escola de samba do Brasil.

BANCADA DO SAMBA – Como foi o processo de pesquisa e, principalmente essa conversa que vcs tiveram com o Rildo Hora pra se chegar nesse material?
JACK VASCONCELOS – Na verdade, Marcos Roza e eu passamos uma tarde inteira com o Rildo Hora. Engraçado, que no ano passado eu trabalhei no Tuiuti numa homenagem a Clara Nunes, mas não a tínhamos presente para contar o que ela achava importante. Essa resposta, a gente não vai ter nunca. Então, agora a gente teve a sorte de perguntar ao homenageado o que ele achava importante nessa trajetória toda dele. A gente chegou nessa sinopse em cima dessa conversa que tivemos com ele. A gente percebeu essa vitalidade que ele tem até hoje e passa pra obra dele, essa coisa do olhar de menino, dito pela esposa dele. Ele é um menino ainda. Ele tem esse amor, essa vitalidade de criança mesmo. Então, o caminho foi esse: ele sempre gostou de equilibrar o erudito com a música popular, unimos essa linguagem do cordel, tipicamente nordestino, com um roteiro de ópera contando a história desse menino.

BS– É isso que plasticamente pode estar inserido no que pode ser apresentado na Avenida pela Estácio?
JV– Sim. Essa é a nossa linha narrativa, então isso acaba naturalmente passando para a parte plástica também.

BS – E na prática, como isso está se desenvolvendo? Já está acontecendo?
JV – Já está acontecendo. Montamos juntos esse roteiro. O Marcos levantou alguns aspectos mais precisos (datas, referências, influências) e já fui selecionando elementos visuais. O texto em si está muito preciso no que a gente vai levar pra avenida porque o projeto está maduro o suficiente pra isso, então, foi uma coisa conjunta. Tanto o texto do enredo quanto a parte visual foram criadas juntas.

BS – Explica pra gente sobre a sua proposta para os compositores…
JV – Na verdade, quando eu falei pra eles que eu gostaria de ver um samba que fosse feito de artista para artista, foi para despertar uma sensibilidade a mais. Às vezes, tem se visto muitas composições automáticas e um projeto como esse merece uma atenção especial, um olhar diferente, uma obra mais sofisticada.

BS – Você está chegando no Estácio, vindo de uma outra escola também tradicional, que homenageou nos últimos anos grandes nomes da música e da cultura popular. Como está sendo pra você vir trabalhar numa escola que também tem isso tão enraizado, como a Estácio?
JV – Fazer a Estácio é o sonho de qualquer carnavalesco… É como jogador de futebol querer jogar na seleção. Tem isso muito forte aqui. É uma escola que tem um astral muito bom, muito família. Eu me sinto muito bem em trabalhar em escolas que tenham esse clima familiar e a Estácio não perdeu isso, não se afastou dessas raízes. A gente sente algo diferente. A questão de se falar de música foi uma coincidência. Quando eu vim pra cá ainda não se tinha enredo escolhido. Tínhamos outras propostas, mas a ideia de se fazer o enredo sobre o Rildo Hora foi do nosso presidente e ele foi muito feliz na escolha. É muito bom a gente trazer ao conhecimento do grande público uma figura como a do Rildo Hora porque muita gente que consome o que ele produz, às vezes não sabe quem ele é. Muitos discos de grandes nomes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, etc, foram produzidos por ele. Então, as pessoas gostam do trabalho dele mas ainda não conhecem quem ele é. Para mim é uma oportunidade rara e o cara tá vivo, pode curtir tudo isso, que é melhor ainda.

Os compositores da Estácio de Sá entregam suas obras para a escola no dia 12 de agosto. Até lá serão promovidos 3 encontros com o carnavalesco para tirar dúvidas, começando no próximo dia 12 de julho.

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Fábio Ricardo: “otimista pra chegar entre as 5 melhores!”.

Na noite de ontem foi lançado oficialmente “Horário Nobre”, enredo da São Clemente para o próximo carnaval que vai levar pra avenida grandes sucessos das telenovelas. Num texto desenvolvido por Milton Cunha, a narrativa proposta pela escola é bem ao estilo da São Clemente: descontraída, leve, mas que vai trazer pra Sapaucaí tudo o que está contido neste universo televisivo que pára o país todas as noites, falando de assuntos relevantes pra nossa sociedade, lançando moda e colocando na boca do povo frases e bordões inesquecíveis.

Num dado momento, a São Clemente propõe que todos nós somos filhos de Janete Clair e Dias Gomes, sobrinhos de Ivani Ribeiro, os pilares da telenovela como conhecemos hoje e que nas novelas, assim como no carnaval quando se acaba uma, começa a outra. Ao final do evento, BANCADA DO SAMBA conversou com o carnavalesco Fábio Ricardo, que usou um método diferente pra desenvolver a história que será contada pela São Clemente. Fabinho falou conosco que teve muito pouco tempo de descanso depois da folia, que comprou a ideia do enredo no momento em que foi proposto e sobre as esperanças que tem na escola para o próximo carnaval. No papo, mencionamos também o texto publicado por Ney Júnior, carnavalesco e colunista do BANCADA DO SAMBA que aponta Fabinho como uma das surpresas certas para 2013. Veja o que ele nos respondeu…

BANCADA DO SAMBA – Fabinho, parabéns pela sinopse…
FÁBIO RICARDO – Parabéns a todos! Pelas minhas ideias, o texto do Milton, a ideia da escola… teve trabalho de todos.

BS – Como foi a ideia do enredo?
FR – Na verdade, a ideia partiu dos irmãos (Renato, Roberto e Ricardo Almeida Gomes). Me ofereceram o enredo, assim como no ano passado e na primeira oportunidade eu falei “me dá que eu vou desenvolver o enredo!”. Já levei logo pra casa e pensei em como fazer e organizar tudo isso. Como eu iria pesquisar isso? Passei a abrir Facebook, pesquisa de boca-a-boca (a primeira pessoa entrevistada foi a minha mãe). Daí eu fui no comércio e ouvi pessoas conhecidas ou não e perguntava quais eram as suas novelas favoritas. A partir daí se desenvolveu o enredo e quais novelas iriam pra avenida; acho que vai ficar uma coisa harmônica e de bom gosto na avenida.

BS – Então, a narrativa do enredo não tem nada de didático ou cronológico…
FR – Não, tudo se desenvolve a partir de situações, de informações. Tem novelas rurais, urbanas, novelas mais sátiras. São divididos por temas, até mesmo pro povo poder entender isso tudo.

BS – Plasticamente, como está o desenvolvimento do enredo?
FR – Já estou com quase todo o carnaval desenhado. Carros e fantasias. Só falta começar a produzir essas peças, que vai dar a largada no nosso barracão. Estamos trabalhando nesses desenhos desde abril.

BS – Quanto tempo você teve de descanso?
FR- Poucos dias. O carnaval foi no final de fevereiro, então eu tive alguns dias de desacanso em março e no final daquele mês eu já estava trabalhando. Parece até brincadeira, mas no dia 1º de abril, dia da mentira, a gente começou a trabalhar oficialmente.

BS – O nosso colunista, o carnavalesco Ney Júnior, publicou essa semana que o conjunto Fabio Ricardo-São Clemente pode ser responsável por uma grande surpresa na avenida, já projetando o que ser o desfile do ano que vem, justamente por causa desse novo visual que está sendo posto em prática por você. Esse tipo de indicação, que não é a primeira vez que acontece, te assusta ou te estimula?
FR – Me estimula cada vez mais; eu ainda estou otimista de chegar entre as 5 melhores! Sabe, quando você chega na Sapucaí no sábado (das camepãs) pra ver todas as escolas e as pessoas perguntam por que você não está aqui com a São Clemente, que foi a melhor escola a passar na avenida, a gente começa a se perguntar “Por que não?”. Quem sabe esse ano vai, né? Quem sabe foi só um gostinho de “quero mais”? Eu fico muito feliz porque o público sempre recebeu a mim e a São Clemente com muito carinho. O público hoje me reconhece e reconhece a escola. Acho que a parceria foi muito boa. E chegamos num momento em que é só desejar boa sorte pra todo mundo e bola pra frente.

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Começo imediato para Luis Felipe e Verônica

Uma das presenças mais badaladas na cerimônia de entrega do Estandarte de Ouro deste ano foi a de Verônica Lima, nova primeira Porta-Bandeira da Acadêmicos do Grande Rio, que chegou ao Vivo Rio acompanhada por Luis Felipe, seu novo parceiro.

Poucas horas depois de anunciada a contratação de Verônica os dois já começaram a conversar e definir os detalhes da preparação do casal para o Carnaval 2013, que pra eles já se iniciou. Um intenso trabalho de entrosamento iniciado já neste mês de março.

Bancada do Samba conversou com os dois, que falaram sobre como será o trabalho na Grande Rio e suas ligações com a base da escola, já que tanto Luis Felipe quanto Verônica iniciaram suas carreiras na Tricolor de Caxias.

Bancada do Samba – Como funcionou para você essa mudança de ares tão repentina que aconteceu contigo?
Verônica Lima – Eu estava bem triste porque a União da Ilha me acolheu. Eu me senti abraçada, chegando lá faltando pouco tempo pro Carnaval. Nós tivemos aquele problema do incêndio, mas passamos na avenida com muita garra e foi uma escola que me fez muito bem. Agora, com uma certa insatisfação por parte da diretoria e da presidência; eles confirmaram alguns setores e outros em aberto. Então, achei melhor deixa-los a vontade para decidirem o que é melhor pra escola.Sou muito grata a União da Ilha, vou sentir saudade… mas como vc sabe, somos sambistas e quando bate a saudade a gente vai lá. Saí de lá, mas com as portas abertas, fiz muitas amizades lá. Então deixei eles a vontade para escolher o melhor pra escola. E nesse meio tempo, quando eu estava até triste, pensando no que aconteceria, surgiu o convite da Grande Rio. Então, eu fiquei muito feliz porque lá é a minha escola, foi lá que eu aprendi a dançar, onde tudo começou na minha vida. Vou dançar com o Felipe agora, que é um menino que começou na escola como eu e é de Caxias. Eu tô muito feliz.

BS – Quando você chegou na Ilha e foi trabalhar com o Ronaldinho, você teve muito pouco tempo pra ensaiar com ele e pegar o entrosamento perfeito. E agora, na Grande Rio? Quando começa o trabalho pra você e o Luis Felipe?
VL – A gente vai ter bastante tempo. Inclusive, a gente já começa a ensaiar agora a pedido da Grande Rio para que a gente tenha um bom entrosamento e não fique atrás dos casais que já dançam há mais tempo juntos. Por isso que vamos começar agora, para que no meio do ano, a gente já consiga relaxar mais um pouco mas pensando naquele objetivo de fazer nesses primeiros quatro meses um trabalho mais intenso.

BS – Como foi o seu primeiro contato com seu novo parceiro?
VL – Ah, foi ótimo! Luis Felipe é uma pessoa maravilhosa. Estou gostando muito porque ele é muito jovem, está com aquela energia toda, aquela vontade, aquela disposição de chegar em mais um carnaval. Ele está muito empolgado e eu to muito feliz.

***

Bancada do Samba – Felipe, assim como a Verônica teve um final de temporada com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, você também teve. Você perdeu sua parceira e muito rapidamente você ganhou uma nova. Queria saber como foi isso pra vc? Teve algum momento de incerteza ou você já estava confiante de que a Grande Rio conseguiria A parceira pra você?
Luis Felipe – Cara, realmente foi uma surpresa ter perdido a minha Porta-Bandeira. Deus sabe o que faz e ele me deu uma nova parceira, uma excelente Porta-Bandeira. Graças a Deus, a gente se deu muito bem. A gente já havia se conhecido em 2000, dançamos pela primeira vez na Tijuca. Ela ainda estava na Grande Rio nessa época e a gente dançou junto lá e foi uma experiência maravilhosa. E quando eu soube que ia dançar comigo agora, eu fiquei feliz pra caramba. Uma boa Porta-Bandeira, carismática, que entende o Mestre-Sala, que se une com o Mestre-Sala. Acho que isso é o mais importante. É a união do casal; é tipo namorado: é sempre unido, sempre junto e nessa dança cai bem, traz emoção pro público. Então, eu estou muito feliz e se Deus quiser a gente vai correr atrás dessa nota 10 e vamos ensaiar muito pra isso.

BS – Era nisso que eu queria chegar agora. Vocês vão começar a trabalhar agora, mas o que primeiramente precisa ser acertado entre vocês? O que vocês vão atacar primeiro?
LF – A gente vai pegar primeiro a afinidade, entrosamento, o olhar… aquele estilo do Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Isso é fácil, a gente pega como se fosse coversando mesmo. O olhar, ter confiança um no outro; isso já começa logo de cara.

BS – Você acha que essa história da Verônica, criada na Grande Rio assim como você também, vai ajudar vocês de alguma forma?
LF – Ajuda e muito! No quadro da Grande Rio tinham grandes figuras, assim como a Squel, a Verônica… eu mesmo era desse quadro. Então, isso na prática vai se tornar uma coisa gostosa por a gente ser dessa família. Já está dando certo!

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Daniel Silva: “O Tuiuti vai passar como um trator pela avenida.”

Quem tiver a oportunidade de ir à Happy Hour do Boulevard Cidade Nova para curtir o som da Paraíso do Tuiuti, vai encontrar uma figuraça, que é o Daniel Silva, intérprete oficial da escola. O menino não para quieto um minuto… empunhando o microfone, ele passeia por entre as mesas esbanjando bom humor e grandes sambas da Tuiuti, além de clássicos do carnaval. Na semana passada, ele cantou, tocou cavaquinho, caixa de guerra e deu um showzaço com a sua voz potente. Talvez uma das mais potentes que vão passar pelos desfiles do Grupo A, no sábado de carnaval.

No intervalo da apresentação, Bancada do Samba conversou com Daniel Silva, que se mostrou bastante ansioso pelo fato de abrir os desfiles do carnaval 2012, porém muito confiante com o papel que a Tuiuti vai desempenhar na avenida. Há poucos dias do ensaio técnico da escola de São Cristóvão ( a Tuiuti abre os ensaios de sábado, dia 14/01), vamos mostrar a vocês o papo que tivemos com ele.

BANCADA DO SAMBA – Como é que vc está se sentindo com essa responsabilidade de ser a voz que vai abrir os desfiles na Sapucaí?
DANIEL SILVA – Pra mim, está funcionando da seguinte maneira: desde o momento em que a escola abraçou o samba e a bateria começou a tirar um swing bonito, tudo ficou mais fácil. Claro que tem a responsabilidade de abrir o desfile, mas quando está todo mundo unido, fechado com o objetivo de fazer um grande desfile, a gente esquece um pouco a responsabilidade e brinca, mas é uma brincadeira séria.

BS – Então, você tá sentindo mais leve?
DS – Isso! Longe de mim, não é pretensão, nem marra, nem orgulho… é que a comunidade está se empenhando muito. Ensaiando até debaixo de chuva, muita dificuldade, mas o nosso barracão está maravilhoso, o nosso presidente está lutando incansavelmente, então, quando tem aquele sentimento de luta, a gente consegue passar mais alegria. Tudo fica mais gostoso.

BS – Como é que vc tá vendo a aceitação do samba lá na quadra?
DS – Com bons olhos porque, no começo o pessoal fica meio desconfiado de como vai se casar o samba com a bateria, mas depois de um mês de ensaio, a comunidade começou a chegar e inclusive gente de fora, de outras outras escolas começaram a elogiar o samba. Então, eu posso te dar certeza de que em termos de canto, o chão da Tuiuti está muito forte.

BS – E o teu momento como intérprete agora em 2012?
DS – Bom, sinceramente, o meu momento está maravilhoso porque era um desejo nosso. Subimos com a escola, tivemos a felicidade de ganhar o carnaval do Grupo B e a vontade e o sonho de todo mundo é abrir os defiles com chave de ouro e voltar para o Grupo Especial. Te falo que o meu pessoal do carro de som está com a mesma vontade. Com todo o respeito às co-irmãs mas o Tuiuti vai passar como um trator pela avenida.

BS –  Vc sabe que a briga vai ser dura, né?
DS –  Claro! Tem várias grandes escolas. Rocinha, Império Serrano, Viradouro, Cubango… mas eu sou mais o meu Tuiuti.

BS – E o ensaio técnico? Tá tudo pronto?
DS – Tá tudo pronto, mas é surpresa. Vocês vão ver no sábado…

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O conto de fadas da Estrelinha da Mocidade

Uma história de reconstrução. No carnaval de 2012, a escola de samba mirim da Mocidade Independente de Padre Miguel completa na avenida 20 anos de vida como um exemplo de persistência e de apoio à criança.

Encerrando os desfiles de sexta-feira, a Estrelinha  contará sua história na avenida de uma forma que toda criança se identifica. Bancada do Samba conversou com Ricardo Dias, presidente da escola. No papo, entre outros assuntos, um pouco de como será contado o enredo em 2012, da tarefa que a escola teve em 2011 de reeditar um desfile criado por Renato Lage e a sorte de encerrar pelo segundo ano seguido os desfiles de sexta-feira de carnaval.

BANCADA DO SAMBA – Como está o trabalho de criação? Já tem algo pronto de figurino, alegoria?
RICARDO DIAS – A gente está no processo de criação. É um momento muito especial pra Estrelinha chegar aos 20 anos. É uma data pra ser celebrada com muito carinho. A gente presa muito pelo entendimento da criança, que ela saiba o que está vestindo, o que está representando e entenda o que ela está vendo. E a gente vai mostrar a nossa história em forma de conto de fadas. É interessante porque a nossa trajetoria é bem assim. A escola é fundada em 1992, desfila pela primeira vez em 1993, e por problemas administrativos, a escola fica sem desfilar por 10 anos e retorna em 2002, como proposta de campanha do Pres. Paulo Viana. A ideia de montar a história como conto de fadas é de mostrar essa princesinha, que nasceu num reino distante, sofreu um encanto e ficou adormecida por muitos anos.

BS – Em 2011 vcs fizeram o Grande Circo Místico, enredo do Renato Lage. Queria saber como é foi isso, se vocês curtiram fazer?
RD – Foi um Carnaval em que as pessoas ainda tinham memórias muito vivas desse desfile. E qual era o nosso desafio: refazer o enredo de forma também impactante e conseguir sair um pouco da tagente do que o Renato Lage fez. E a gente conseguiu… ganhamos 12 prêmios ao todo. E foi gratificante, por sermos a escola que fechou os desfiles de sexta-feira (fato que eu até gosto!). Um pouco antes do desfile, começou a chover e eu achei que a meninada fosse amarelar… mas não! As crianças toparam.

BS – Quantas crianças vão pro desfile em 2012?
RD – Acho que 1.300 crianças, como no ano passado, é um número confortável, até mesmo para dar às crianças toda a assistência em termos de transporte e alimentação. Mil e trezentas crianças é ideal também pro tempo de desfile.

BS – …e vcs vão encerrar o desfile de novo…
RD – Graças a Deus! (risos) Encerrar o desfile pra gente é primordial pela distância da nossa comunidade em relação à Marquês de Sapucaí.

BS – Na sua opinão, o que as escolas de samba mirins mais precisam neste momento?
RD – Creio que mais apoio, né? O trabalho que é feito na AESM-RIO
é excepcional. É um grupo fechado e imbuído no sucesso do desfile mirim, mas seria melhor se a gente tivesse mais apoio do poder público no sentido de dar maior estrutura, não somente para o desfile mirim, mas também para as escolas pequenas.

BS – Qual a participação do Paulo Viana no projeto da Estrelinha? Como ele está envolvido no projeto?
RD – Sei que pode parecer um pouco de pretensão da minha parte, mas acredito que o presidente Paulo Viana seja aquele que mais investe no samba mirim hoje. Inclusive, ele destaca muito isso nas entrevistas que dá. A Mocidade Independente nos dá total apoio na produção do desfile, cedendo material, pessoal. Tem gente que acha que é fácil tocar uma escola de samba mirim com uma escola-mãe por trás, mas não é. A gente trabalha com doação, trabalha com voluntariado, ainda mais esse ano que a Mocidade está sem patrocínio… é tudo na base do amor.

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