Uma trajetória

Fotos SAMBARIO

Permitam-me começar esse texto com um samba.

Bravo! Bravíssimo! Mil aplausos…

pra você, Unidos do Viradouro. A escola, que com esse enredo em homenagem à grande Dercy Gonçalves, deu início a 19 longos anos de muito sucesso, inovação, lances extraordinários e muita emoção.

A agremiação possui apenas uma conquista em 1997, mas teve na sua história no Grupo Especial desfiles inesquecíveis que trouxeram mais luxo, profissionais excelentes em seu barracão e quando as reedições foram permitidas obteve o melhor resultado, ficando com o quarto lugar em 2004.

Difícil de esquecer aquele ano de 1992, onde a Viradouro vinha com um desfile muito aguardado, criado por Max Lopes, um dos grandes nomes entre os carnavalescos da época e vinha com um canto tão bonito, um samba tão bem composto (o que se tornou umas das marcas da escola, principalmente depois do título de 97) e viu seu castelo ruir com o incêndio do carro da Sibéria. Seria uma crueldade com qualquer escola de samba, mas nesse caso doeu mais.

Virada a página, Max Lopes ficou lá até 1993 e aí a história mudou. O mestre Joãozinho Trinta, com sua mente extraordinariamente brilhante levou à escola um pouco da sua genialidade e desenvolveu enredos que falavam de rainhas africanas, da obra de Debret, fez uma viagem pelo Brasil até que…

TREVAS! LUZ! A explosão do talento, a explosão da ousadia… o caneco!!! O título veio da raça do seu componente, da ideia louca de colocar no carro abre-alas o nada, as trevas… da bateria do Mestre Jorjão. O que era aquilo tão marvilhoso??? O que era aquilo que a gente nunca tinha ouvido, que muitos achavam muito ousado, mas que levou o funk, uma batida nova pra uma bateria que esperava o momento de brilhar? E o momento chegou.

Como arrancar da memória o desfile cinematográfico de 1998? Ver o Orfeu na visão brasileira, inspirado na obra de Vinicius de Moraes retratado no maior palco do mundo, com a platéia em estado de êxtase, cantando, sambando, gritando como se estivessem em outro show, uma reação digna dos picadeiros dos shows de rock em festivais mundo afora. Um delírio que não trouxe o título mas que deixou plantada uma semente que a Viradouro levaria pros seus próximos desafios. Desafios como os de homenagear personagens importantes do nosso país como Bibi Ferreira e Oscar Niemeyer, falar não só do sorriso, mas também, de como isso nos faz bem e da comédia brasileira.

Com Paulo Barros, a escola fez mais uma das suas. Desejando o título como quem tem fome, a escola teve a coragem de olhar para o novo, para o que ninguém ainda tinha visto e arrancou aplausos, lágrimas, gritos, como em 98 ao levar a sua bateria ( já com o gênio Mestre Ciça) em cima de um carro alegórico, representando um tabuleiro de xadrez… quem se esquece? Mesmo não ganhando, Viradouro deu espaço para que fosse desenvolvido algo para as próximas gerações, um enredo daquele que é hoje um dos grandes artistas do nosso tempo.

Vai ser estranho não vermos uma escola com essa garra toda no ano que vem mas felizmente eles tem uma fonte pra beber, eles tem algo pra se inspirar e é a sua própria história e o seu próprio legado. A força que eles precisam pra voltar está naquilo tudo que eles fizeram durante 19 anos e que os nossos olhos não apagarão da memória.

Bravo! Bravíssimo! Mil aplausos a você… Unidos do Viradouro!

  1. #1 por Fernanda em 30 de março de 2010 - 12:09

    Nesse período de baixa autoestima, de muita gozação por parte de torcedores de outras escolas, ler um texto enaltecendo nossas qualidades…. não tem preço.

    Obrigada!

    Fernanda

  2. #2 por Inalva em 30 de março de 2010 - 14:36

    Ver todo esse legado que vivenciamos no Grupo Especial é que devemos usa-lo como antídoto para superarmos esse obstáculo que estamos passando. Muito obrigada mesmo!
    Inalva

  3. #3 por yara mathias em 14 de abril de 2010 - 12:33

    mathiasnão tem como não se emocionar com a leveza de um texto, contando a trajetória de uma escola, feita com sangue e o suor de uma comunidade apaixonada.
    é de arrepiar….
    muito obrigada pela delicadeza nesse momento tão dificil para aqueles que verdadeiramente amam Unidos do Viradouro.
    yara

  4. #4 por Thiago Vergete em 14 de abril de 2010 - 23:54

    O texto é simplesmente MARAVILHOSO.
    Lamento o fato de a Viradouro descer pro Grupo de Acesso, mas assim é a vida carnavalesca. Triunfos e derrotas…
    Que sua estrela volte a brilhar novamente e que em 2012, esteja ela, linda e maravilhosa, entre as Escolas de Samba do Grupo Especial.
    Thiago Vergete

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